O bilionário e astronauta particular Jared Isaacman concluiu sua segunda rodada de sabatinas perante o Comitê de Comércio, Ciência e Transportes do Senado dos EUA para o cargo de chefe da NASA, reiterando a necessidade urgente de os Estados Unidos superarem a China na exploração espacial.
Em seu depoimento nesta quarta-feira (3) em Washington, D.C., Isaacman enfatizou a importância estratégica da iniciativa lunar: “Se cometermos um erro, talvez nunca mais consigamos nos igualar”, alertando que as consequências poderiam afetar o “equilíbrio de poder aqui na Terra”.
Reviravoltas na Nomeação e Foco na Rivalidade Sino-Americana
Conhecido por financiar e comandar duas missões espaciais privadas da SpaceX, a nomeação de Isaacman para Administrador da NASA foi abruptamente revogada em maio e, em seguida, restaurada em novembro pelo Presidente Donald Trump. Apesar das especulações sobre doações políticas e seus laços com a SpaceX, Isaacman adotou um tom cauteloso, agradecendo a oportunidade e negando qualquer favorecimento à empresa de Elon Musk, citando acordos de confidencialidade sobre os custos das missões.
Isaacman transmitiu uma “mensagem de urgência” ao Congresso, defendendo a necessidade de um administrador permanente antes do lançamento da missão Artemis 2 (prevista para fevereiro de 2026), que levará astronautas em órbita da Lua.
O programa Artemis – que visa retornar astronautas à superfície lunar até 2028 e estabelecer uma presença sustentável – é o pilar central da competição dos EUA com a China, que planeja enviar astronautas à Lua até 2030, em parceria com a Rússia.
“Estamos em uma grande competição com um rival que tem a vontade e os meios para desafiar a excepcionalidade americana em múltiplos domínios, inclusive no Espaço”, disse Isaacman sobre a China.
Prioridades e Propostas
Isaacman defendeu um aprofundamento da relação com a indústria privada para “não depender exclusivamente do contribuinte”. Ele prometeu fazer o uso mais eficiente de cada dólar alocado e assegurou que a NASA “nunca aceitará uma lacuna” na pesquisa após o descomissionamento da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2030, evitando que a China preencha esse espaço com sua estação, a Tiangong.
Outros tópicos abordados na audiência incluíram:
- Sistema de pouso Artemis 3: Isaacman apoiou a competição entre fornecedores, como SpaceX e Blue Origin, afirmando que a rivalidade é “fantástica” e garante o objetivo final.
- Ciência e Orçamento: Elogiou os investimentos em voos espaciais tripulados da administração Trump, mas evitou comentários diretos sobre o proposto corte de 47% no orçamento científico para 2026, declarando que precisaria de tempo para “entender onde estamos”.
- Projeto Athena: Classificou o plano confidencial que propõe uma operação mais empresarial da NASA como uma coleção provisória de “ideias” a serem modificadas com mais dados.
- Desenvolvimento Industrial: Defendeu o aumento de gastos em tecnologias desenvolvidas privadamente, como propulsão nuclear e veículos de lançamento reutilizáveis, essenciais para a estratégia Lua-a-Marte.
Com forte apoio bipartidário, incluindo o do administrador interino Sean Duffy e de 36 astronautas da NASA, o presidente do comitê, Ted Cruz, expressou a esperança de levar a confirmação de Isaacman à votação na próxima segunda-feira (8).







