Wireds – O seu portal de tecnologia.

Arqueólogos descobrem na África a cremação mais antiga da Idade da Pedra

Uma descoberta arqueológica no Monte Hora, no Malawi, está desafiando o que a ciência compreendia sobre as práticas funerárias da Idade da Pedra. Um estudo publicado na revista Science Advances revelou que um grupo de caçadores-coletores realizou a cremação intencional de uma mulher há cerca de 9.500 anos, estabelecendo o registro mais antigo deste tipo de ritual no continente africano.

O Mistério da Mulher de Hora 1

Os restos carbonizados foram encontrados em uma pira funerária preservada in situ (no local original). A análise técnica revelou detalhes intrigantes sobre a cerimônia:

  • Perfil da Vítima: Uma mulher adulta, com altura entre 1,45 m e 1,55 m.
  • Preparação do Corpo: Evidências sugerem que a carne foi removida antes do fogo. Além disso, a ausência de fragmentos de crânio e dentes indica que a cabeça foi removida antes do ritual, e seu paradeiro permanece desconhecido.
  • Logística do Evento: Foram utilizados cerca de 30 kg de madeira e capim seco para manter as chamas, um esforço considerável para uma comunidade nômade.

Por que a descoberta é um marco histórico?

Até então, acreditava-se que a cremação era impraticável para grupos de caçadores-coletores, devido ao alto custo de recursos e trabalho manual. No Egito, registros de ossos queimados de 7.500 anos atrás não possuem pira própria, o que impede a confirmação de uma intenção ritualística.

A prática só se tornaria documentada de forma sistemática na África milhares de anos depois, há cerca de 3.300 anos, com pastores no Quênia. O achado do Malawi antecipa essa cronologia em milênios.

Impacto Cultural e Social

Para a arqueóloga Jessica Thompson, autora do estudo, a magnitude do evento sugere que a mulher ocupava uma posição de grande prestígio na comunidade. Thompson descreve o funeral como um “espetáculo grandioso” que obriga os pesquisadores a repensar a capacidade de organização e o pensamento simbólico dessas sociedades antigas.

Curiosamente, o local das escavações continuou a receber grandes fogueiras por centenas de anos após o funeral. Embora não tenham sido encontradas outras ossadas, os cientistas acreditam que essas queimas posteriores serviam como cerimônias em memória ao ritual original, transformando o local em um ponto de referência ancestral.

Classifique esta notícia

5/5

Vivemos tecnologia e você?