Documentos judiciais vêm à tona, revelando que a Meta (empresa controladora do Facebook e Instagram) teria ocultado evidências de que seus produtos estavam prejudicando a saúde mental de usuários, especialmente crianças e adolescentes. As revelações fazem parte de uma ação movida pelo escritório Motley Rice contra a Meta, Google, TikTok e Snapchat, representando distritos escolares nos EUA.
Projeto Mercúrio e o Descarte de Resultados
Um projeto de pesquisa interna da Meta, denominado “Projeto Mercúrio”, produziu conclusões negativas que, segundo o processo, foram ignoradas e o projeto interrompido. O estudo indicou que usuários que ficaram uma semana sem usar o Facebook “relataram menor sensação de depressão, ansiedade, solidão e comparação social”. Após essa constatação, os resultados não foram publicados.
Em comunicado, o porta-voz da Meta, Andy Stone, defendeu que o estudo foi interrompido por falhas metodológicas e afirmou que a empresa trabalha para melhorar a segurança de seus produtos.
Acusações Detalhadas Contra a Meta
Embora o processo alegue que todas as grandes plataformas (Meta, Google, TikTok e Snapchat) esconderam riscos conhecidos de usuários, pais e professores, as acusações contra a Meta são as mais detalhadas, citando diretamente documentos internos:
- Traficantes Sexuais: A Meta supostamente exigia que usuários fossem flagrados 17 vezes tentando traficar pessoas para exploração sexual antes de serem removidos da plataforma — um limite descrito em um documento interno como “muito, muito, muito alto”.
- Recursos Ineficazes: A empresa teria projetado recursos de segurança para jovens de forma a serem ineficazes e pouco utilizados.
- Prioridade ao Engajamento: A Meta teria reconhecido que otimizar seus produtos para aumentar o engajamento de adolescentes resultava em conteúdo mais prejudicial, mas manteve a estratégia.
- Atraso na Segurança: A empresa teria atrasado por anos os esforços internos para impedir que predadores contatassem menores, priorizando o crescimento da plataforma.
Em uma mensagem de texto de 2021, Mark Zuckerberg teria dito que a segurança infantil não era sua principal preocupação, pois estava “mais focado, como construir o metaverso”, e teria ignorado pedidos de financiamento para o trabalho de segurança infantil.
Alegações Gerais Contra as Plataformas
As acusações contra as plataformas no geral incluem:
- Incentivar o uso por crianças menores de 13 anos.
- Não combater efetivamente o conteúdo de abuso sexual infantil.
- Buscar ampliar o uso das redes sociais por adolescentes em ambiente escolar.
- Pagar organizações voltadas para crianças para defender publicamente a segurança de seus produtos.
O porta-voz da Meta contestou essas alegações, dizendo que o processo distorce os esforços da empresa para criar recursos de segurança. Os documentos internos citados na ação não são públicos, e a Meta solicitou que sejam retirados do processo. Uma audiência sobre o caso está marcada para 26 de janeiro no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia.







